Embora a disseminação do COVID-19 tenha se tornado uma ameaça para a saúde física e financeira do mundo, a crescente perturbação da vida cotidiana está exigindo outro tributo, este em nossa saúde mental coletiva. 

Para evitar a transmissão, os cidadãos estão sendo instados a manter distância física um do outro, o que os leva a ficar sozinhos ou  com os membros mais achegados da família por longos períodos de tempo. Juntamente com a cobertura interminável da mídia sobre o vírus e os piores cenários associados, a ansiedade nas pessoas se tornou palpável.

Se você estiver emocionalmente sobrecarregado com o risco da doença ou a realidade de atividades limitadas, é importante entrar em contato com os profissionais locais de saúde mental para obter orientação. 

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Para obter dicas mais gerais sobre como lidar com sentimentos de desconforto durante esse período de incerteza, o site Mental Floss conversou com David H. Rosmarin, fundador e diretor do Center for Anxiety em Nova York e professor assistente na Harvard Medical School

Aqui estão os conselhos dele sobre manter-se equilibrado nesses tempos tumultuados.



1 — LEMBRE-SE DE QUE O DISTANCIAMENTO SOCIAL NÃO SIGNIFICA ISOLAMENTO SOCIAL

Os principais especialistas em saúde dos Centros de Controle de Doenças e da Organização Mundial da Saúde (OMS) deixaram claro que minimizar o impacto do coronavírus significa diminuir a transmissão ficando em casa. 

Para pessoas acostumadas com  uma intensa interação social, tal prática pode ser preocupante. Mas o doutor Rosmarin nos lembra que a falta de proximidade física não deve significar falta de socialização.

“Distanciamento social não significa isolamento social”, diz ele. “Podemos usar os meios eletrônicos para nos conectarmos”.

Rosmarin diz que telefonar para amigos e manter contato pode nos permitir manter nossas conexões, embora ele avise que a mídia social não oferece os mesmos benefícios.


“As mídias sociais e as notícias podem fazer você se sentir conectado, mas isso cria distância”, afirma o médico. Em vez disso, ligue ou faça uma conferência com pessoas que você conhece pessoalmente, individualmente. 

Jogar jogos online ou outras atividades virtuais também pode ajudar a manter a sensação de permanecer conectado ao evitar visitas pessoais.


2 — NÃO DEIXE O CICLO DE NOTÍCIAS REGER AS SUAS EMOÇÕES

A situação do coronavírus é dinâmica e parece mudar a cada hora, o que faz as pessoas se sentirem obrigadas a ficar em dia com todas as atualizações, fazendo-as verificar constantemente seus telefones em busca de novas informações.

Embora isso possa ser estressante a qualquer momento, pode afetar sua capacidade de relaxar se você acompanhar as agências de notícias pouco antes de dormir.

“As pessoas precisam se desligar das informações uma hora antes de irem para a cama”, diz Rosmarin. “Não é um bom momento para acompanhar as notícias”. É muito improvável que uma atualização que seja tão urgente perca a relevância pela manhã. O sono é fundamental para um sistema imunológico saudável.

Rosmarin também recomenda evitar as notícias durante as refeições pelo mesmo motivo. Em alguns casos, pode ser melhor evitar notícias ou meios de comunicação que façam você se sentir particularmente estressado. 

A OMS recomenda que se verifique as notícias uma ou duas vezes por dia em horários específicos e obtenha informações de fontes confiáveis, como autoridades de saúde locais, para evitar rumores e informações erradas.


3 — NÃO DISCUTA COM PESSOAS QUE PARECEM DESPREOCUPADAS COM A CRISE

No momento, uma das principais fontes de estresse para as pessoas é o fato de que elas podem enfrentar a pressão de amigos ou familiares para participar de reuniões, quando não se sentem confortáveis ​​em fazer parte de grupos — mesmo de grupos pequenos. Outros podem ficar chateados porque as pessoas não seguem as diretrizes federais ou estaduais para ficar em casa.


Argumentar sobre isso não é produtivo. “É uma situação bem comum”, diz Rosmarin. “Os sogros podem se sentir rejeitados ou um amigo pode querer aparecer. Eu sugeriria uma técnica chamada ‘validação’. 

Você transmite a uma pessoa que seus sentimentos são razoáveis. Se alguém quiser vir, peça desculpas, mas pratique o distanciamento social. Você pode dizer: ‘Você pode sentir que estou rejeitando você, mas não estou. Eu quero te ver.’ Ao contrário de ‘Você é louco e não está prestando atenção’. Esse último argumento sempre acaba em discussão”.


4 — PEÇA AOS MEMBROS DA FAMÍLIA QUE RESPEITEM OS SEUS LIMITES

Para muitas famílias, o cancelamento da escola e a paralisação do trabalho  significa que casais e crianças passam muito mais tempo juntos. Pessoas que anteriormente tinham tempo e espaço, agora não os tem. Os limites precisam ser estabelecidos.

“As pessoas precisam ter uma configuração para o trabalho”, diz Rosmarin, seja literal (uma mesa) ou figurativa (uma poltrona). Qualquer que seja a área, outros membros da família precisam respeitar que, quando você está lá, está tentando ser produtivo ou recarregar as baterias. “Você precisa ter uma certa área da casa onde possa ir sem julgamento, um lugar para relaxar ou trabalhar”.


5 — É PRECISO ACEITAR NOSSAS LIMITAÇÕES

De muitas maneiras, as pessoas são capazes de exercer um grau significativo de controle sobre uma pandemia. Distanciamento social, higiene e outras precauções podem causar um tremendo impacto na gravidade da situação. Mas se você estiver se sentindo sobrecarregado por tantas responsabilidades, o Dr. Rosmarin diz que é importante reconhecer que nosso controle tem limitações.


“É raro esse tipo de coisa acontecer, mas se você observar a história da humanidade, elas acontecem”, diz ele. “Precisamos respeitar e apreciar que há muito o que podemos fazer.” É bom parar, dar um passo atrás e aceitar que você está fazendo o que pode, dadas as circunstâncias.

Você também pode tentar uma técnica conhecida como distanciamento temporal, que consiste em imaginar como, no futuro, você olhará  para o presente. Pensar em como você se lembrará ou considerará os evento atuais, o ajudará a lembrá-lo de que, um dia, eles serão apenas lembranças.


6 — RESERVE ALGUNS MINUTOS PARA PENSAR NO PIOR, DEPOIS SIGA EM FRENTE

Se você está com medo de ficar doente ou estressado com as conseqüências gerais do coronavírus — e para muitos, geralmente as duas possibilidades são aterrorizantes — pode ser bom dar algum tempo para deixar sua imaginação decolar.

“Por alguns minutos por dia, é aceitável pensar no pior e seguir em frente com sua vida”, diz Rosmarin. Imaginar o que você pode fazer, caso você ou um ente querido adoecer, permite um certo grau de preparação emocional, desde que você limite esse exercício mental a um curto período de tempo.


7 — NÃO IGNORE SUA ROTINA REGULAR

Lava roupa aos domingos? Continue fazendo isso no domingo. Não vai trabalhar? Vista-se assim mesmo. Manter a aparência de uma rotina regular ajudará muito a evitar sentimentos de desorganização e imprevisibilidade.


“A ansiedade é apenas o começo”, diz Rosmarin. “Dentro de uma semana ou duas, as pessoas provavelmente começarão a se sentir deprimidas, tristes e letárgicas, principalmente porque estamos nos distanciando. É aí que entram os benefícios do agendamento.”

Manter os horários normais de sono e vigília, a rotina de exercícios e outras práticas manterá sentimentos de familiaridade. Também o ajudará a se ajustar quando o mundo retornar — como inevitavelmente o fará — à normalidade.


8 — NÃO HESITE EM PROCURAR AJUDA

Para pessoas que já lutam com ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo ou depressão, os medos sobre o coronavírus podem ser especialmente perturbadores.

Sempre procure ajuda profissional se você se sentir sobrecarregado.

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