Os peidos podem espalhar doenças?

Em 2001, uma enfermeira fez a mesma pergunta ao autor, educador e comentarista de ciências australiano Karl Kruszelnicki. Ela confessou que peidava silenciosamente durante os procedimentos cirúrgicos e queria saber se estava contaminando a sala de cirurgia em que trabalhava, relata a Discover Magazine.

peidos

Para entender melhor a questão, Kruszelnicki entrou em contato com o microbiologista de Camberra, Luke Tennent. Tennent pediu a um de seus colegas para peidar diretamente em duas placas de Petri a uma distância de cinco centímetros — primeiro enquanto usava calças e, na segunda vez, de calças arriadas.

A primeira placa de Petri permaneceu limpa, na segunda, entretanto, bactérias germinaram da noite para o dia, o que parecia sugerir que a roupa age como uma barreira entre as bactérias que podem ser expelidas por um peido (nem todas elas estariam contidas no próprio gás).

O Dr. Karl relatou as descobertas em 2014 na edição satírica de feriados da revista científica BMJ, observando:

“Nossa dedução é que a zona entérica na segunda placa de Petri foi causada pelo flato em si, e o anel espalhado ao redor foi causado pela velocidade do peido, que soprou bactérias da pele das bochechas e a jogou sobre a placa”.

Parece, portanto, que os flatos podem espalhar bactérias se o emissor estiver nu, mas não se estiver vestido, contudo, os resultados do experimento não devem ser considerados alarmantes, porque nenhum tipo de bactéria era prejudicial. São semelhantes às bactérias ‘amigáveis’ encontradas no iogurte.


Os peidos podem disseminar o novo coronavírus?

O experimento de Kruszelnicki e Tennent não mergulhou profundamente em todos os tipos de bactérias que uma pessoa sem calças pode ser capaz de espalhar, então, os chineses entraram em ação.

Em um artigo longo e aparentemente bem-humorado, porém sério, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) do distrito de Tongzhou, em Pequim, esclareceu que os peidos, normalmente, não são uma via de transmissão do COVID-19.

Os comentários do CDC do distrito de Tongzhou foram feitos em resposta às preocupações recentes dos internautas de que os pacientes infectados poderiam espalhar a doença através da passagem de gás. As preocupações foram motivadas pelas descobertas mais recentes de uma equipe de pesquisadores liderada pelo principal consultor médico chinês, Zhong Nanshan, que afirmou terem sido isoladas novas cepas de coronavírus em amostras de fezes e urina de pacientes infectados.

peidos

O CDC do distrito de Tongzhou garantiu que fez a lição de casa antes de escrever o artigo e citou o experimento de peido realizado por Karl Kruszelnicki e Luke Tennent.

Ou seja, desde que todos usem calças, não há necessidade de se preocupar que a passagem de gás possa causar um risco de contaminação microbiológica.

As autoridades de Tongzhou chegaram à conclusão de que é seguro afirmar que peidos não transmitirão o novo coronavírus, desde que as calças estejam sendo usadas.

Mas se o paciente infectado não estiver de calça, e se ele liberar uma grande quantidade de gás, e se outra pessoa estiver nas proximidades e farejar o gás com força, tudo é possível, dizia o artigo.

Portanto, para evitar espalhar o COVID-19, pratique um distanciamento social responsável — e evite peidar nu ao redor de outras pessoas. O que, sinceramente, é uma boa regra de etiqueta para a vida em geral.

Post a Comment

Postagem Anterior Próxima Postagem