O Paradoxo de Fermi, introduzido pela primeira vez pelo físico Enrico Fermi, faz a pergunta: “Onde está todo mundo?” Ou, mais especificamente, “Onde estão todos os alienígenas?”

Quando consideramos o tamanho do universo, o número de planetas semelhantes à Terra e uma série de outras variáveis ​​(conforme descritas na Equação de Drake ), concluímos que deve haver dezenas de milhares de civilizações extraterrestres no universo. Ao levar em conta a idade do cosmo, os cientistas afirmam que tais civilizações já tiveram tempo o suficiente para se contatarem. Então, se as estatísticas dizem que há alienígenas vagando pelo universo, por que ainda não encontramos nenhum?



1 — Hipótese da Terra Rara

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A Hipótese da Terra Rara sugere que a cadeia de eventos que criou a vida neste planeta é tão complexa que somente uma tempestade biológica perfeita poderia recriá-la em outro lugar. Embora possa haver planetas semelhantes à Terra, nenhum deles tem tudo o que é preciso para a vida inteligente se desenvolver. Em outras palavras, não encontramos nenhum alienígena, porque não há nenhum lá fora, ou eles são tão poucos e distantes entre si que o contato é improvável.

O principal fator que torna a Terra tão hospitaleira para a vida é seu longo período de condições climáticas relativamente estáveis, devido à órbita e posição únicas do planeta. Sem nossa distância exata do Sol e da Lua, o planeta estaria muito quente ou frio, teria muito pouco oxigênio e seria instável demais para suportar qualquer vida além das bactérias.

O paleontólogo Peter Ward e o astrônomo Donald Brownlee foram os primeiros a apresentar a hipótese da Terra Rara. Mesmo que quase 20 anos tenham se passado desde que eles publicaram a teoria, e planetas semelhantes à Terra tenham sido detectados, eles ainda acreditam de que as chances de tais mundos terem vida são baixíssimas.



2 — A Teoria dos Grandes Filtros

De acordo com a Teoria dos Grandes Filtros, a vida alienígena existe, mas a vida inteligente é incapaz de avanços tecnológicos o suficiente para desenvolver a comunicação espacial ou as viagens estelares. Embora nossas espaçonaves, satélites e rádios modernos possam fazer parecer que estamos nos aproximando desse alvo, inevitavelmente chegaremos à uma barreira ou uma catástrofe que nos extinguirá ou estagnará a nossa tecnologia.

Sabemos que desastres naturais cataclísmicos atingem Terra periodicamente, então é possível que eventos semelhantes atinjam mundos por todo o universo, enviando a vida inteligente de volta à Idade da Pedra antes que a tecnologia possa se desenvolver adequadamente. Ou talvez sejamos aniquilados através de guerras ou epidemias. Seja qual for o filtro, todos significam más notícias para os humanos. Nós nunca nos comunicaremos com seres alienígenas e é bem  provável que morramos tentando.

No entanto, existe uma esperança nessa teoria. Talvez sejamos os primeiros indivíduos a passar pelo filtro, então, seremos os primeiros seres super-inteligentes a vagar pelo espaço.





3 — A Hipótese da Transcendência

De acordo com a Hipótese da Transcendência do futurista John Smart, a vida alienígena inteligente já existiu em nosso universo, porém, se tornou tão avançada que mudou-se para pastos mais verdejantes. Ou seja: os alienígenas tornaram-se tão evoluídos que pararam de olhar para o espaço exterior e concentraram-se no espaço interior.

O conceito pode ser comparado à miniaturização que ocorreu nos computadores. O que antes era uma tecnologia que ocupava salas inteiras, tornou-se progressivamente menor, enquanto crescia em complexidade e poder.

Para os apoiadores dessa teoria, a vida inteligente evolui da mesma maneira, trabalhando constantemente em direção a um uso mais eficaz de espaço, tempo, energia e matéria. No futuro, estaremos vivendo e operando em nanoescala até nos tornarmos tão eficientes que criaremos buracos negros, onde viveremos fora desse contínuo espaço-temporal.

Para Smart e outros, os buracos negros são o destino final. Eles nos permitirão computação e aprendizado ideais, viagens no tempo, coleta de energia e muito mais. Civilizações que não atingem esse destino são civilizações fracassadas.

Outros seres cósmicos talvez estejam trabalhando em direção à sua própria transcendência. Como os seres humanos, eles podem emitir transmissões espaciais, mas esses tipos de sinais são supostamente o trabalho de civilizações imaturas e é improvável que sejam bem sucedidos. Além disso, com base na Lei de Moore (que o poder de computação dobra a cada dois anos), esses seres alcançariam a transcendência antes de explorar o cosmos.



4 — O Princípio da Mediocridade

Talvez seja arrogante pensar que os alienígenas teriam interesse em nós ou em nosso planeta. Mundos muito mais interessantes e sustentadores da vida podem existir, e seres inteligentes preferem focar seu tempo em lugares super habitáveis, em vez de na Terra. Esta teoria é o oposto da teoria da Terra Rara —  a Terra não é nada especial.

Uma raça alienígena capaz de viajar ou se comunicar através de anos-luz, não se importaria mais em conversar conosco do que um humano se importaria em conversar com uma mosca. Da mesma forma, eles sem dúvida teriam suas próprias tecnologias superiores e não precisariam de nenhum de nossos recursos desprezíveis. Se, no entanto, eles precisassem coletar minerais ou outros elementos, eles não teriam que visitar a Terra. Essas coisas são encontradas flutuando por todo o espaço.

Além disso, não importa quão inteligentes sejam os seres, viajar através de anos-luz não é tarefa fácil. Quais são as chances de eles investirem toda essa energia para virem aqui, se existe 8,8 bilhões de planetas semelhantes à Terra na Via Láctea? Para os seguidores dessa teoria, pensar que a Terra é o destino de todos os habitantes do universo é sofrer do mesmo geocentrismo que levou à perseguição de Galileu.



5 — Hipótese do Planetário

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Uma das explicações mais controversas para o Paradoxo de Fermi é a Hipótese do Planetário. Nosso mundo é um planetário criado na “forma de uma realidade virtual”, projetado para nos dar a ilusão de que o universo está vazio.” Não descobrimos nenhuma vida extraterrestre porque esses extraterrestres não escreveram isso no programa.

A maioria dos defensores modernos dessa ideia, especula que nós vivemos em uma simulação de computador projetada por alienígenas avançados. Esses alienígenas são capazes de manipular a matéria e a energia em escalas galácticas. Por qual razão os alienígenas iam querer nos observar, como se fôssemos animais em um zoológico? Talvez apenas por diversão, ou talvez eles apenas nos fizeram para comprovar que eram capazes de tal façanha.

Por mais absurda que a Hipótese do Planetário possa parecer, filósofos e físicos profissionais levam a sério essa ideia. Eles dizem que há mais probabilidade de sermos inteligências artificiais vivendo em um mundo virtual do que sermos donos da nossa própria realidade. No futuro, é bem provável que descubramos essa simulação, pois inevitavelmente notaremos alguma falha no sistema ou criaremos um teste adequado para provar a Hipótese do Planetário.

Leia também: Seis artefatos que provam a existência de aliens


6 — Vivemos nos confins do universo

Embora a vida alienígena inteligente exista, nossos planetas podem estar muito distantes para tornar a comunicação prática ou proposital. A Terra talvez esteja tão longe de outros planetas habitados que simplesmente somos ignorados. Se isso não parecer solitário o suficiente, alguns afirmam que a maioria dos outros mundos estão relativamente próximos uns dos outros e a que a interação entre eles é algo corriqueiro, enquanto isso, nós, que vivemos nos confins do universo, perdemos a festa.

As raízes dessa ideia vêm de uma teoria matemática conhecida como percolação, que descreve como as coisas se acumulam em um ambiente aleatório. Com base na teoria da percolação, o universo se formou naturalmente com áreas de grande crescimento agrupado e algumas áreas menores de crescimento em posições isoladas. Outros seres inteligentes estão no grande aglomerado e nós moramos numa distante província da galáxia.

Em vez de tentar fazer contato com esses seres distantes, alguns, como Stephen Hawking, sugerem que continuemos quietos no nosso canto. Hawking diz que, “se pegarmos um sinal alienígena, devemos ter cuidado ao responder, até que tenhamos evoluído”. Caso contrário, poderemos sofrer um destino parecido com os nativos americanos depois da chegada de Colombo.



7 — Nós não detectamos seus sinais (ainda)

Cientistas como Frank Drake e o falecido Carl Sagan argumentaram que a ausência de provas é diferente da evidência de ausência de alienígenas”. A procura por alienígenas foi interrompida pela falta de financiamento do governo, necessário para custear equipamentos e recursos de rastreamento. Historicamente, a busca por sinais de inteligência extraterrestre (SETI) teve que depender de radiotelescópios emprestados e outros equipamentos, que só podia ser usado por um tempo limitado. Esses obstáculos tornaram virtualmente impossível qualquer progresso real.

Ainda assim, há boas notícias — pelo menos para quem acha que fazer contato com alienígenas é uma boa ideia. O Allen Telescope Array, um conjunto de radiotelescópios especialmente projetado para procurar por inteligência extraterrestre, entrou em operação em 2007.

Esse telescópio gigantesco foi financiado em grande parte por Paul Allen, o co-fundador da Microsoft. Depois de vários contratempos, ele finalmente parece pronto para começar a fazer uma exploração espacial séria.



8 — Não conseguimos reconhecer os sinais alienígenas

Mesmo que outros planetas sejam hospitaleiros para a vida, os seres de lá evoluiriam de forma semelhante às coisas vivas na Terra? Talvez sejamos tão diferentes a ponto de um não reconhecer os sinais do outro. Algo comparável à forma como os morcegos visualizam as ondas sonoras, enquanto que nós vemos apenas a luz. É provável que humanos e alienígenas operem com sentidos totalmente diferentes.

Como o cosmologista e astrofísico Lord Rees apontou, “eles poderiam estar nos encarando, e nós simplesmente não os reconhecemos. O problema é que estamos procurando por algo muito parecido conosco, assumindo que pelo menos tenham algo parecido com a mesma matemática e tecnologia. Suspeito que possa haver vida e inteligência por aí em formas que não podemos conceber.”

As coisas ficam ainda mais complicadas quando tentamos nos comunicar numa base tecnológica avançada, porque eles talvez usem métodos de comunicação (como neutrinos ou ondas gravitacionais) além do nosso entendimento tecnológico. Da mesma forma, nossas emissões de rádio primitivas podem parecer nada além de ruído branco para essas criaturas.

Se alienígenas e humanos forem de fato extremamente diferentes, é improvável que façamos contato e resolvamos o Paradoxo de Fermi — ainda mais se continuarmos a antropomorfizar todos os possíveis habitantes do universo.



9 — A Hipótese de Medeia

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A Hipótese de Medeia, cunhada pelo paleontólogo Peter Ward, cogita que os seres humanos e outros superorganismos carregam em si mesmos as sementes da autodestruição. Desta forma, isso está intimamente ligado à teoria dos Grandes Filtros, pois sugere que seremos extintos antes de evoluir o suficiente para fazer contato com alienígenas.

A hipótese remete a Medeia, personagem da mitologia grega que matou seus próprios filhos. Neste caso, o planeta é Medeia, e todas as coisas vivas são seus descendentes. Nós não queremos morrer, mas a Mãe Terra está destinada a nos matar. A extinção está escrita em nossa biologia para assegurar que seremos eliminados antes que criemos muito desequilíbrio na Terra. Uma vez que nos tornemos uma praga incurável no planeta, faremos algo para garantir nossa própria morte.

Ward acredita que quase todas as extinções em massa anteriores foram provocadas por organismos vivos. Por exemplo, os dois períodos de Terra Bola de Neve, ocorridos há milhões de anos, teriam sidos causados pelas plantas, que proliferaram descontroladamente e absorveram quantidades excessivas de gás carbônico. Esse desequilíbrio provocou o resfriamento global e, consequentemente, o desaparecimento das plantas. Da mesma forma, se nós realmente formos os culpados pela mudança climática de hoje, podemos estar a caminho de garantir que nossa própria espécie não sobreviva no planeta.

Em suma, nosso relógio suicida interno agirá muito antes de termos a chance de nos comunicar com alienígenas.



10 — Eles vivem entre nós

Parece ficção científica, mas pessoas em posições de destaque estão certas de que os alienígenas vivem e trabalham ao nosso redor. Por exemplo, o ex -ministro da Defesa do Canadá, Paul Hellyer, deu uma entrevista em 2014, na qual afirmou que 80 espécies diferentes de vida alienígena vivem na Terra. Alguns deles (incluindo loiras nórdicas) parecem quase idênticos aos humanos. Outro grupo, os Grays, se parecem com os alienígenas estereotipados do cinema e permanecem relativamente escondidos da população em geral.

Hellyer não está sozinho em suas reivindicações. O físico Paul Davies, da Universidade Estadual do Arizona, e Robert Trundle, da Northern Kentucky University, têm opiniões semelhantes sobre a existência de alienígenas no nosso planeta. Para Hellyer, Davies, Trundle e para aqueles que compartilham suas crenças, o Paradoxo de Fermi já foi respondido — aliens existem, e percebendo ou não, eles interagem conosco diariamente.

Apesar de sofrerem muitas críticas de seus pares e do público, esses homens continuam convictos em suas opiniões.

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