Star Wars e a economia do mundo moderno

Com seus temas de viagens intergalácticas, cenários coloridos e criaturas estranhas, o enredo de Star Wars pode parecer um tanto quanto forçado para aqueles que não sabem a diferença entre Tatooine e Jakku, mas, na verdade, a saga é sustentada por uma economia e um sistema político inspirados e derivados de eventos do mundo real.

Portanto, Star Wars pode ser um filme de ação; mas são os conflitos e imperativos econômicos que precedem e conduzem a trama da franquia.

star_wars_economia

As semelhanças entre o Império Galáctico e a economia global moderna

O escopo da economia de Star Wars é galáctico e governado pelos preceitos do comércio moderno. Dentro da mitologia, os planetas negociam produtos e serviços entre si. Rotas comerciais atravessam a galáxia e sistemas planetários. É normal que os planetas localizados no cruzamento das principais rotas comerciais se beneficiem de sua posição estratégica.

Por exemplo, Bothawui, que aparece na série animada Clone Wars, está localizado na intersecção de quatro grandes rotas comerciais. É conhecido por seu comércio envolvendo tecnologia e devido à sua localização, ele é um local perfeito para transações comerciais.

Existem milhares de moedas planetárias locais, usadas entre as  diferentes raças e sociedades, mas tanto a República como o Império usam os créditos galácticos nas suas transações comerciais. Esses créditos eram úteis na maioria dos planetas da orla interna, localizados mais próximos dos centros econômicos e comerciais.

Uma vez que um viajante entrasse nos sistemas da orla externa, os créditos galácticos perdiam seu valor, porque o governo centralizado não tinham muita autoridade sobre essas sociedades.

Isso fica mais evidente quando Qui-Gon Jinn tenta comprar peças para a nave de Padme, mas Watto, um comerciante de Tattoine, se recusa a receber em créditos republicanos, porque ali, eles não serviam para nada.

Em Jakku, onde Rey cresceu depois de ser abandonada pelos pais, ela trabalhava como catadora de sucata, vendendo peças para Unkarr Plutt por porções de comida, porque a única coisa que importa em um planeta com tão pouco desenvolvimento é comer o suficiente para se manter vivo.

rey-star-trek

Assim como as corporações multinacionais, cujas operações abrangem várias economias e países, as empresas intergalácticas operam em vários sistemas e setores planetários. Mas suas operações de manufatura são baseadas principalmente no setor corporativo, que funciona como uma espécie de zona de livre comércio.

Localizado na Orla Exterior, o Setor Corporativo foi criado para libertar a indústria das disputas políticas e maquinações do Senado. O código tributário do Setor Corporativo é uma versão simplificada dos códigos fiscais individuais do planeta.

De fato, sob o Imperador, as operações do setor corporativo expandiram-se para incluir 30.000 sistemas planetários.

A fim de  facilitar o comércio, várias organizações firmaram acordos comerciais e consórcios para maximizar o lucro e exercer influência política e econômica no Senado. As guildas comerciais são as mais poderosas. Entre elas estão a Federação do Comércio e o Clã Bancário Intergaláctico.

Como o próprio nome indica, a Federação do Comércio é um consórcio de empresas e comerciantes e o Clã Bancário Intergaláctico é um sistema bancário que controla as finanças em grande parte da República.

Esse último desempenhou um papel proeminente na Confederação dos Sistemas Independentes (também conhecida como Aliança Separatista) que separou-se da República durante as Guerras Clônicas. As duas organizações foram responsáveis ​​por impulsionar Darth Sidious ao topo do poder.


Como o bloqueio econômico de Naboo transformou a República no Império

Em resposta ao aumento da tributação das rotas comerciais, a Federação do Comércio bloqueou o planeta Naboo com uma frota de naves de guerra. A razão exata para o bloqueio é duvidosa, mas existem várias teorias sobre o assunto.

No romance Darth Plagueis, James Luceno esboçou uma possível razão para a invasão de Naboo: a energia do plasma. De acordo com Luceno, Naboo era rico em plasma e tinha uma grande instalação de mineração e refino financiada com um empréstimo do Clã Bancário Intergaláctico.

O planeta vendia a energia de plasma à Federação de Comércio a preços fixos que, por sua vez, aumentava exponencialmente os preços para obter um lucro substancial.

palpatine

O romance de Luceno não faz mais parte do cânone de Star Wars após a reestruturação que a Disney fez na franquia, mas argumento é lógico. Lembre-se, Naboo está situado na orla externa da galáxia e, provavelmente, tinha pouca ou nenhuma tributação.

A tributação das rotas comerciais aumentaria os custos de transporte para os membros da Federação de Comércio e reduziria seus lucros.

Dito isso, o pretexto econômico para o bloqueio era simplesmente uma desculpa para a Federação do Comércio, que estava sob a influência de Darth Sidious (que se fazia passar pelo Senador Palpatine de Naboo), para invadir Naboo. A invasão desencadeou uma série de eventos que levaram Palpatine a ser eleito Chanceler Supremo, e depois Imperador.

Eis o que aconteceu: Palpatine votou a favor da taxação das rotas comerciais, dando à Federação uma razão para invadir Naboo, o que fez com que o atual Chanceler Supremo (Valorum) parecesse fraco. Valorum foi destituído do cargo com um voto de desconfiança e Palpatine foi eleito por simpatia pelo inferno que seu planeta natal, Naboo, havia passado.

Palpatine convenceria o Senado a lhe dar poderes de emergência para lidar com a crise separatista em curso, que, é claro, havia sido planejada por ele mesmo.

Com estes novos poderes e com o extermínio dos Jedi após a Ordem 66, Palpatine teve pouco trabalho para consolidar-se como imperador e remodelar a galáxia à sua imagem.

Qualquer semelhança com o surgimento da Alemanha nazista não é mera coincidência.


Veja também: A verdadeira história do 13º guerreiro
Star Wars e a economia do mundo moderno Star Wars e a economia do mundo moderno Reviewed by Bento Santiago on junho 29, 2018 Rating: 5
Tecnologia do Blogger.