As causas econômicas da Segunda Guerra Mundial

Assustados com a magnitude da morte e da destruição que resultou da Grande Guerra, os líderes de algumas das principais potências mundiais convocaram uma conferência em Paris, para assegurar que tal devastação jamais ocorresse novamente.

Infelizmente, a combinação de um tratado de paz mal planejado e a crise econômica mais severa que o mundo moderno já havia enfrentado, provocou uma amarga deterioração das relações internacionais, que culminaria em uma guerra ainda mais devastadora daquela que a precedeu.


As falhas do Tratado de Versalhes

A lamentável ironia da Conferência de Paz de Paris, que gerou o Tratado de Versalhes, foi que, apesar das melhores intenções de seus autores de garantir um mundo de paz, o Tratado continha uma semente que, ao ser jogada no solo da crise econômica não gerou a paz, gerou a guerra.

Essa semente foi o artigo 231, comumente conhecido como a Cláusula da Culpa de Guerra, que obrigava a nação alemã a assumir total responsabilidade por iniciar a Primeira Guerra Mundial.

Como tal, a Alemanha era responsável por todos os danos materiais e o premier francês Georges Clemenceau,em particular, insistiu em impor aos alemães enormes pagamentos de reparação.

inflação alemã
Um banqueiro alemão conta uma pilha de marcos empacotados em 1923

Clemenceau e os franceses estavam conscientes de que a Alemanha provavelmente não seria capaz de pagar uma dívida tão alta, no entanto, eles temiam uma rápida recuperação alemã e o início de uma nova guerra contra a França.

Já em 1923, a recém-constituída República de Weimar começou a atrasar os pagamentos das reparações de guerra, sendo retaliada pela França e pela Bélgica.

Os dois países enviariam tropas para ocupar o centro industrial da região do vale do rio Ruhr, apropriando-se efetivamente da produção de carvão e metal que ali ocorria.

Como grande parte da manufatura alemã era dependente de carvão e metal, a perda dessas indústrias criou um choque econômico negativo que levou a uma severa contração na economia alemã. Essa contração, assim como a continuada impressão de dinheiro do governo para pagar dívidas internas de guerra, geraram a hiperinflação.

Embora a estabilização dos preços e da economia acabasse sendo alcançada - em parte graças à ajuda do plano americano Dawes, de 1924 - a hiperinflação eliminou grande parte das economias da classe média.

As consequências políticas seriam devastadoras, já que muitas pessoas desconfiavam do governo de Weimar, um governo que se baseava em princípios democráticos liberais. Essa desconfiança, juntamente com o ressentimento em relação ao Tratado de Versalhes, abriu o caminho para o crescimento da popularidade dos partidos políticos radicais, tanto da esquerda, como da direita.


A Grande Depressão e a Deterioração do Comércio Internacional

O início da Grande Depressão anulou qualquer tentativa de criar um mundo pós-guerra mais aberto, cooperativo e pacífico.

O colapso do mercado acionário americano em 1929, causou não apenas a cessação dos empréstimos concedidos à Alemanha pelo Plano Dawes, mas uma completa retirada dos fundos já emprestados.

A falta de dinheiro e de crédito levou ao colapso do maior banco da Áustria em 1931, o Kreditanstalt, o que deu início a uma onda de falências bancárias em toda a Europa Central, incluindo a completa desintegração do sistema bancário da Alemanha.

A deterioração das condições econômicas na Alemanha ajudou o partido nazista a crescer de um grupo marginal relativamente pequeno para o maior partido político do país.

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Por favor - dê um emprego ao meu  pai

A propaganda nazista que culpava o Tratado de Versalhes por grande parte das dificuldades econômicas da Alemanha, alimentou a popularidade de Hitler com os eleitores, elegendo-o chanceler alemão em 1933.

Globalmente, a Grande Depressão levou as nações a adotarem políticas comerciais mais fortes para proteger as indústrias domésticas da concorrência estrangeira.

Embora essas políticas comerciais pudessem ser benéficas, quando a maioria dos países adotou o protecionismo, o comércio internacional ficou reduzido e os benefícios econômicos que o acompanham se perderam.

De fato, os países sem acesso a matérias-primas importantes foram os mais castigados pela falta de livre comércio.


Do expansionismo à Segunda Guerra Mundial

Os britânicos, franceses, soviéticos e americanos tinham grandes impérios coloniais, que lhes forneciam as matérias-primas necessárias para movimentar a economia (Estados Undidos e União Soviética também possuíam enormes reservas minerais dentro de suas próprias fronteiras), mas países como Alemanha, Itália e Japão se viram sem recursos para fugir da crise.

A deterioração do comércio internacional levou à formação de mais blocos comerciais regionais, com as nações formando blocos ao longo das sua linhas coloniais, como o sistema de Preferência Imperial da Grã-Bretanha.

Embora as nações excluídas das alianças imperialistas tivessem procurado formar seus próprios blocos regionais de comércio, se tornou evidente que seria necessário usar a força militar para conquistar mais territórios e os seus seus valiosos recursos econômicos.

segunda guerra
Monges budistas do Grande Templo de Asakusa usam máscaras de gás durante um treinamento contra possíveis ataques aéreos em Tóquio. Fotografia tirada em 30 de maio de 1936.

Essa força militar exigia um extenso rearmamento e, portanto, no caso da Alemanha, isso significava a violação direta do Tratado de Versalhes. O rearmamento também reforçava a necessidade de mais matérias-primas e, consequentemente, a necessidade de expansão territorial.

Conquistas como a invasão da Manchúria pelo Japão no início da década de 1930, a invasão da Etiópia pela Itália em 1935 e a anexação alemã da Áustria e de partes da Tchecoslováquia em 1938, foram manifestações da necessidade de expandir territórios.

Mas essas conquistas, em breve atrairiam a ira de duas das maiores potências da Europa. Após a invasão da Polônia pela Alemanha, a Grã-Bretanha e a França declararam guerra a Hitler.

Apesar das nobres aspirações pela paz, o resultado da Conferência de Paz de Paris reforçou a hostilidade entre as nações ao culpar a Alemanha como a única instigadora da Primeira Guerra Mundial.

A Grande Depressão e o protecionismo econômico que ela gerou, serviriam então como catalisadores para a ascensão do Partido Nazista e o aumento das ambições imperialistas entre as nações do mundo.

Era apenas uma questão de tempo até que esses eventos levassem à eclosão da Segunda Guerra Mundial.

As causas econômicas da Segunda Guerra Mundial As causas econômicas da Segunda Guerra Mundial Reviewed by Bento Santiago on junho 29, 2018 Rating: 5
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