As principais alianças da Primeira Guerra Mundial

Em 1914, as seis maiores potências da Europa estavam divididas em duas alianças que formariam os dois lados em conflito na Primeira Guerra Mundial.

A Grã-Bretanha, a França e a Rússia formavam a Tríplice Entente, enquanto que a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália compunham a Tríplice Aliança. Essas alianças não foram a única causa da Primeira Guerra Mundial, mas desempenharam um papel importante em acelerar a corrida da Europa ao conflito.


Otto von Bismarck e sua política de alianças

Após uma série de vitórias militares de 1862 a 1871, o chanceler prussiano Otto von Bismarck formou um novo estado alemão a partir de vários pequenos principados.

Depois da unificação, Bismarck temia que as nações vizinhas, particularmente a França e a Áustria-Hungria, pudessem agir para destruir a Alemanha. Bismarck defendia uma cuidadosa série de alianças e decisões de política externa que estabilizassem o equilíbrio de poder na Europa.

Sem eles, acreditava ele, outra guerra continental era inevitável.

bismarck
Otto von Bismarck pouco depois de ter sido demitido como Chanceler pelo jovem Guilherme II em março de 1890.

Bismarck sabia que uma aliança com a França não era possível por causa do ressentimento francês sobre o controle alemão da Alsácia-Lorena, uma província confiscada em 1871 depois que a Alemanha derrotou a França na Guerra Franco-Prussiana.

A Grã-Bretanha, por sua vez, seguia uma política de isolamento e relutava em formar qualquer aliança com as potências europeias.

Então, Bismarck se voltou para a Áustria-Hungria e a Rússia. Em 1873, a Liga dos Três Imperadores foi criada, prometendo apoio mútuo em tempos de guerra.

A Rússia se retirou da Liga em 1878 e a Alemanha e a Áustria-Hungria formaram a Aliança Dua em 1879.

A Aliança Dual garantia que os dois impérios se ajudariam, caso a Rússia os atacasse, ou se a Rússia ajudasse outra nação em guerra contra um deles.


A Tríplice Aliança

Em 1881, a Alemanha e a Áustria-Hungria fortaleceram seus laços formando a Tríplice Aliança com a Itália, com as três nações prometendo apoio mútuo, caso alguma delas fosse atacada pela França.

Além disso, se algum membro se encontrasse em guerra com duas ou mais nações ao mesmo tempo, a aliança também viria em seu auxílio. A Itália, a mais fraca das três nações, insistiu em uma cláusula final, que anulava o acordo caso os membros da Tríplice Aliança fossem os agressores.

Em 1914, a Itália era apenas um membro nominal da Tríplice Aliança. Ela havia assinado um tratado secreto com a França, pelo qual prometia permanecer neutra se a Alemanha atacasse a França. Isso significava que a Alemanha tinha apenas um aliado confiável: a Áustria-Hungria.


As alianças criaram um quadro diplomático excessivamente rígido, no qual  detonadores relativamente pequenos podiam produzir enormes explosões - Alan John Percival Taylor, historiador britânico


O Resseguro russo

Bismarck precisava prevenir a Alemanha contra uma possível guerra em duas frentes, o que significava fazer algum tipo de acordo com a França ou a Rússia. Dadas as amargas relações com a França, Bismarck assinou o que ele chamou de "tratado de resseguro" com a Rússia.

Segundo esse tratado, as duas nações permaneceriam neutras se uma delas estivesse envolvida em uma guerra contra terceiros. Se essa guerra fosse com a França, a Rússia não teria a obrigação de ajudar a Alemanha.

No entanto, este tratado só durou até 1890, quando foi anulado pelo governo que substituiu Bismarck. Os russos queriam mantê-lo, e isso geralmente é visto como o grande erro dos sucessores de Bismarck.

Triplice_Aliança_e_Entente

Depois de Bismarck

Quando Bismarck foi eliminado do poder, sua política externa cuidadosamente elaborada começou a desmoronar. Ansioso para expandir o império de seu país, o Imperador Guilherme II da Alemanha pôs em andamento uma agressiva política de militarização.

Alarmados pela escalada do poder naval da Alemanha, a Grã-Bretanha, a Rússia e a França fortaleceram seus próprios laços. Enquanto isso, os novos líderes da Alemanha mostraram-se incompetentes em manter as alianças de Bismarck e a nação logo se viu cercada por poderes hostis.

A Rússia entrou em um acordo com a França em 1892, enunciado na Convenção Militar Franco-Russa. Os termos eram ambíguos, mas comprometiam as duas nações a se apoiarem mutuamente caso estivessem envolvidas em uma guerra.

Grande parte da diplomacia que Bismarck considerava fundamental para a sobrevivência da Alemanha havia sido desfeita em poucos anos, e o país mais uma vez enfrentava a ameaça de uma guerra em duas frentes.


A Tríplice Entente

Preocupada com a ameaça que os poderes rivais impunham às colônias, a Grã-Bretanha começou a procurar por alianças próprias.

Apesar do fato de o Reino Unido não ter apoiado a França na Guerra Franco-Prussiana, os dois países prometeram apoio militar um ao outro na Entente Cordiale de 1904.

Três anos depois, a Grã-Bretanha assinou um acordo semelhante com a Rússia. Em 1912, a Convenção Naval Anglo-Francesa uniu a Grã-Bretanha e a França ainda mais militarmente.

As alianças estavam definidas. Quando o arquiduque austríaco Franz Ferdinand e sua esposa foram assassinados em 1914, todas as grandes potências da Europa reagiram de uma maneira que levou a uma guerra em larga escala dentro de algumas semanas.

A Tríplice Entente lutou contra a Tríplice Aliança, embora a Itália logo mudasse de lado.

A guerra que todas as partes envolvidas julgavam estar resolvida no Natal de 1914, arrastou-se por quatro longos anos, acabando por também levar os Estados Unidos para os campos de batalha.

Quando o Tratado de Versalhes foi assinado em 1919, encerrando oficialmente a Grande Guerra, mais de 11 milhões de soldados e 7 milhões de civis haviam morrido no conflito.

Primeira Guerra Mundial

O efeito dominó das alianças europeias na Primeira Guerra Mundial

- A Áustria-Hungria, insatisfeita com a resposta da Sérvia ao seu ultimato declarou guerra contra a Sérvia em 28 de julho de 1914.

- A Rússia, ligada por um tratado à Sérvia, anunciou a mobilização de seu vasto exército em  defesa da sua aliada, um processo lento que levaria cerca de seis semanas para ser concluído.

- A Alemanha, aliada à Áustria-Hungria por tratado, via a mobilização russa como um ato de guerra contra a Áustria-Hungria, e após um aviso insignificante declarou guerra à Rússia em 1º de agosto de 1914.

- A França, vinculada por um tratado com a Rússia, encontrou-se em guerra contra a Alemanha e, por extensão, contra a Áustria-Hungria, após uma declaração alemã em 3 de agosto de 1914. A Alemanha foi rápida em invadir a neutra Bélgica para chegar a Paris pelo caminho mais curto possível.

- A Grã-Bretanha, aliada à França por um tratado tênue que impunha uma "obrigação moral" a ela de defender a França, declarou guerra à Alemanha em 4 de agosto de 1914. Sua razão para entrar no conflito era outro: ela era obrigada a defender a Bélgica pelos termos de um tratado assinado pelas duas nações havia 75 anos.

- Com a entrada da Grã-Bretanha na guerra, suas colônias e domínios no exterior lhe ofereceram assistência militar e financeira, entre elas Austrália, Canadá, Índia, Nova Zelândia e a União da África do Sul .

- O presidente dos Estados Unidos, Woodrow Wilson, declarou uma política de neutralidade absoluta dos EUA, uma postura oficial que duraria até 1917, quando a política alemã de guerra submarina irrestrita - que ameaçava seriamente o transporte comercial dos Estados Unidos (quase que totalmente direcionado aos aliados liderados pela Grã-Bretanha e França) - forçou os EUA a finalmente entrarem na guerra em 6 de abril de 1917.

primeira  guerra mundial
Um esquadrão de aeronaves americanas em voo, por volta de 1917

- O Japão, honrando um acordo militar com a Grã-Bretanha, declarou guerra à Alemanha em 23 de agosto de 1914. Dois dias depois, a Áustria-Hungria respondeu declarando guerra ao Japão.

- A Itália, apesar de aliada tanto da Alemanha quanto da Áustria-Hungria, conseguiu evitar entrar na disputa ao citar uma cláusula que lhe permitia fugir das suas obrigações para com ambas.

Em suma, a Itália comprometeu-se a defender a Alemanha e a Áustria-Hungria apenas no caso de uma guerra "defensiva"; argumentando que as ações das duas nações eram "ofensivas", ela declarou sua neutralidade.

No ano seguinte, em maio de 1915, ela finalmente se juntaria ao conflito, apoiando a Tríplice Entente contra seus dois ex-aliados.

As principais alianças da Primeira Guerra Mundial As principais alianças da Primeira Guerra Mundial Reviewed by Bento Santiago on junho 26, 2018 Rating: 5
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