Júlio César - a vida e a morte do grande general romano

Júlio César é o mais célebre personagem histórico da Antiga Roma. Um general e um político brilhante, cujo legado é tão significativo, que algumas línguas modernas tem palavras para "governante" derivadas do seu nome, como "kaiser" em alemão e "czar" em russo.

Outra homenagem duradoura: Ele tem até o seu próprio mês; Quintilis, o mês em que César nasceu, passou a chamar-se Julius (julho) em sua homenagem. Conheça um pouco sobre a vida deste homem, cuja presença marcou profundamente a história do Ocidente.


1 – Júlio César não nasceu de cesariana

Caio Júlio César chegou ao mundo no dia 13 de julho do ano 100 a.C, mas, ao contrário da crença popular, é improvável que ele tenha nascido de cesariana. O  procedimento existia na época, mas quase sempre era fatal para a mãe, portanto, era somente realizado quando uma mulher grávida estava morta ou prestes a morrer, num esforço para salvar a criança. Contudo, a mãe de César, Aurélia, viveu até 54 a.C, quase meio século após o nascimento de seu filho.

O cognome "César" originou-se, de acordo com Plínio, o Velho, com um antepassado do ditador, que teria vindo ao mundo por meio de uma cesariana (do verbo latino para cortar, caedere).

A História Augusta sugere outras três explicações possíveis: que o primeiro César tinha uma cabeça cheia de cabelos (do latim caesaries); que ele tinha brilhantes olhos cinzentos (do latim oculis caesiis), ou que ele matou um elefante (caesai em mouro) em uma batalha. Júlio César emitiu moedas com imagens de elefantes, sugerindo que ele favorecia a esta última interpretação do seu nome.

Júlio César

2 – Júlio César foi sequestrado por piratas

Em 75 a.C, César resolveu partir de Roma para a ilha de Rodes, no mar Egeu, um famoso centro de aprendizagem, onde ele planejava estudar com Apolônio, retórico grego, mestre de Cícero, que se tornou um dos oradores mais famosos da Antiga Roma. No entanto, ao longo do caminho para Rodes, o navio de César foi sequestrado por piratas ao largo da costa sudoeste da Ásia Menor.

Quando seus captores estipularam o valor do resgate por sua libertação, César se sentiu ofendido pela quantia ser muito baixa e insistiu que uma soma maior fosse exigida. Trinta e oito dias depois, o resgate chegou e César foi libertado depois de um cativeiro confortável, onde fez amizade com alguns dos captores. De regresso à liberdade, César organizou uma força naval, capturou o refúgio dos piratas e ordenou a crucificação de todos eles.


3 – A vida amorosa de Júlio César foi bem movimentada

César se casou com sua primeira esposa, Cornélia, em 84 a.C, quando ele era um adolescente. Dentro de alguns anos, um general chamado Lúcio Cornélio Sula tornou-se ditador da república romana e ordenou a execução de qualquer pessoa considerada inimiga do Estado.

O sogro de César, Lúcio Cornélio Cina, havia sido rival de Sula; como resultado, Sula ordenou que César se divorciasse de Cornélia, mas ele se recusou a cumprir a ordem. Sabendo que tal desafio poderia custar-lhe a vida, César fugiu de Roma.

Durante seu tempo como fugitivo, ele contraiu malária e mais tarde foi pego por um dos homens de Sula, a quem foi obrigado a pagar um suborno enorme, quase todo o seu dinheiro, a fim de permanecer livre.

Mais tarde, alguns dos amigos e parentes influentes de César convenceram Sula a autorizar o regresso de César à Roma, onde ele voltou a viver com Cornélia. O casal teve uma filha, Júlia, em 76 a.C.



Cornélia morreu em 69 a.C; em 67 a.C César casou-se com Pompéia, neta de Sula. Em 62 a.C, com César servindo como o "Pontifex maximus", Pompéia participou de um encontro anual de mulheres romanas: o ritual de Bona Dea ("boa deusa"), que foi realizado na casa de César.

O evento era estritamente reservado às mulheres, mas um jovem nobre disfarçou-se de mulher e conseguiu se infiltrar na festividade. Durante a noite, ele foi descoberto. Um escândalo seguiu-se, boatos surgiram dizendo que o homem estava apaixonado por Pompéia e que havia tentando seduzí-la.

Apesar de não saber se Pompéia teve culpa no incidente, César decidiu divorciar-se dela, argumentado que "a mulher de César não basta ser honesta, ela deve parecer honesta."

César casou-se com sua terceira esposa, Calpúrnia, em 59 a.C, quando ela era ainda adolescente, permanecendo casado com ela até morrer. Sendo um mulherengo incorrigível, Júlio César também teve várias amantes, incluindo Cleópatra VII, rainha do Egito, e uma mulher chamada Servília, cujo filho, Marco Júnio Bruto, participou do assassinato do governante em 44 a.C.


4 - Júlio César fez parte do Primeiro Triunvirato

Ao retornar a Roma, Júlio César começou a trabalhar em cooperação com Pompeu, o Grande, um líder político proeminente conhecido por suas façanhas militares. César progrediu dentro do sistema político romano tornando-se questor em 69 a.C, edil em 65 a.C e pretor em 62 a.C. No ano 59 a.C Júlio César se tornou cônsul, o mais alto cargo político na República Romana.

Ao se associar com Pompeu, César também alinhou-se com Marco Licínio Crassso, general e político romano, citado como o homem mais rico da história romana. Pompeu e Crasso eram rivais e César passou a atuar como mediador entre os dois. No ano 60 a.C, eles fizeram uma aliança não oficial conhecida como o Primeiro Triunvirato.

Esta aliança os tornou os  donos de Roma, dando-lhes terras para governar. Crasso ficou com a Síria, César com Ilírico e Gália, e Pompeu, com a Hispânia. O triunvirato durou até a morte de Crasso em 53 a.C.


5 – Júlio César teve um filho com Cleópatra

Em 47 a.C, César dirigiu-se ao Egito em busca de Pompeu, apenas para descobrir que o velho aliado e agora inimigo havia sido assassinado no ano anterior. Ao saber da sorte de Pompeu, César ficou destroçado pela perda e por não ter mais a oportunidade de oferecer-lhe perdão.

Talvez devido a isto, César decidiu intervir na política egípcia e substituiu o rei Ptolomeu XIII pela irmã deste, Cleópatra, que já tinha a dignidade de faraó. Durante a sua estadia no Egito, César envolveu-se romanticamente com Cleópatra e dessa relação nasceu um menino. Os egípcios se referiam a ele como Cesarião (do latim Caesarion, "pequeno César").



Em 31 a.C, as forças de Cleópatra e de seu amante Marco Antônio foram derrotadas na Batalha de Áccio por Otávio, sobrinho-neto e herdeiro de César. No ano seguinte, Antônio e Cleópatra cometeram suicídio, deixando Cesarião como o único faraó do Egito; no entanto, seu reinado foi breve porque não muito tempo depois da morte de sua mãe, Cesarião foi assassinado por ordens de Otávio, que passou a se tornar o primeiro imperador romano.

Júlio César não teve outros filhos homens além de Cesarião. Sua filha Júlia, que havia se casado com Pompeu, morreu enquanto dava à luz uma menina, em 54 a.C. A morte de Júlia foi uma catástrofe para o seu marido, para o seu pai e até mesmo para Roma; em pouco tempo a aliança entre Pompeu e César se desfez levando Roma à guerra civil.


6 – Júlio César é o pai do ano bissexto

Antes de Júlio César chegar ao poder, os romanos usavam um sistema de calendário baseado no ciclo lunar, que ditava que houvesse 355 dias em um ano. Este tempo era mais curto do que um ano solar, o tempo que a Terra leva para dar uma volta completa em torno do sol.

Funcionários específicos do governo romano, a seu critério, deviam adicionar dias extras ao calendário lunar todos os anos, a fim de mantê-lo alinhado com as estações do ano, mas isso nem sempre acontecia. Como resultado dessa bagunça, o calendário ficava confuso, fora de sintonia com as estações e propício para que políticos espertos estendessem seus mandatos.

Após uma consulta com o astrônomo Sosígenes, César implementou um novo sistema, o calendário Juliano, que entrou em vigor em 45 a.C. Nele o ano consistia de 365 dias. O calendário foi concebido para estar em sincronia com o ciclo solar; mas para tanto, ainda precisava de um pequeno ajuste. Então César acrescentou um dia extra a cada quatro anos, chamado de ano bissexto, a fim de resolver o problema.

O calendário juliano continuou a ser o padrão até o final do século XVI, quando uma versão ligeiramente modificada do sistema, conhecida como o calendário gregoriano, foi introduzido. Hoje, o calendário gregoriano é o calendário civil mais utilizado no mundo.


7 - Júlio César nunca foi imperador romano

Júlio César foi o último governante da República de Roma, como cônsul e, posteriormente, ditador. O primeiro governante a usar o termo imperador, no sentido de chefe supremo do Estado romano, foi Augusto, sucessor de César. É a sagração de Augusto, em 27 a.C, que dá início ao Império Romano.

No entanto, vale a pena ressaltar que durante a República (509 a.C a 26 a.C) o termo latino "imperator" era usado para designar os comandantes militares romanos, derivando do verbo "imperare", que significa "dar ordens". Nos desfiles triunfais, as legiões saudavam seus comandantes chamando-os de "imperator" e, nesse sentido a palavra se aplica a Júlio César.


8 - As últimas palavras de Júlio César

Et tu, Brute? é uma expressão latina que significa "e tu, Brutus?" ou "até tu, Brutus?", e que teria sido proferida pelo ditador romano Júlio César, no momento de seu assassinato, ao seu amigo Marco Bruto.

Assassinato de César
A morte de César, por Vincenzo Camuccini , na Galeria Nacional de Arte Moderna e Contemporânea, Roma.

Amplamente utilizada para significar a inesperada traição de um amigo, essa frase ganhou fama pela sua ocorrência na peça Júlio César, de William Shakespeare. César profere estas palavras no ato III, cena 2 da peça, quando está sendo esfaqueado até a morte e reconhece o seu amigo e protegido, Bruto, entre os assassinos. No entanto, não existem evidências históricas de que  Júlio César tenha dito essas palavras.

O historiador romano Suetônio, cerca de um século e meio após o assassinato de César, reportou que as palavras finais do ditador foram a frase grega "καὶ σὺ, τέκνον", que significa "você também, filho?" ou "você também, jovem?". Por vezes essa frase é traduzida para o latim como "tu quoque, Brute, fili mi?" ("você também, Bruto, meu filho?"). Já Plutarco relata que César não disse nada, mas que simplesmente cobriu o resto com a toga ao ver Bruto entre os conspiradores.

Júlio César - a vida e a morte do grande general romano Júlio César - a vida e a morte do grande general romano Reviewed by Bento Santiago on agosto 10, 2014 Rating: 5
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